quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Aos 27 dias do mês de outubro de 1997, nesta especializada, foi ouvido o natural TOMAS BARROSO MOTTA, testemunha dos fatos circunstanciados no auto de local de n.o E-02/00008/97, digo, individuo que acompanhou os agentes CBPM Azevedo e SGPM Martines ao local dos fatos. Aos costumes, disse nada. Inquirido, disse que adentrou o apartamento por volta de 10:15h deste dia; que tinha tocado a campainha por muito tempo e depois batido na porta e que sabia que tinha gente em casa; que sabia disso porque na noite anterior ouviu muita música alta e risadas; que o casal fazia muitas festas de noite; que quando bateu na porta ela estava trancada, mas que insistiu; que depois parou e foi comprar pão e jornal; que quando voltou, passou na porta do apartamento e viu que estava aberta; que sabe que a porta está aberta porque não tem fecho, digo, quando não está encostada direito no batente; que empurrou a porta bem forte; que quando entrou na sala viu a mulher caída de costas sobre o piano; que a blusa branca estava bem manchada de vermelho e que os pés estavam fora do chão; que amarrada no pulso esquerdo tinha uma faixa de pano lilás; que notou que a calça estava com o ziper aberto, que ela estava sem sapatos nem sandália; que no chão havia um copo virado, com líquido espalhado; que não era bebida porque não cheirava a álcool; que logo percebeu que a mulher não respirava e que tentou reanimá-la e que foi nessa hora que o corpo escorregou e que caiu com o rosto no chão e foi por isso que fez a equimose na face esquerda; que então percebeu que a mulher estava morta; que não teve qualquer reação; que pegou o corpo com dificuldade no colo e que o colocou no sofá, que fez isso com cuidado, digo, com delicadeza; que pôs uma almofada debaixo da cabeça; que nessa hora se assustou porque os olhos da mulher se abriram, mas que ela estava inert, digo, inerte; que ficou muito perturbado e que pensou em procurar o síndico que mora no apartamento ao lado; que então lembrou do marido da mulher e que chamou por ele; que este no entanto não respondeu; que procurou pelo homem mas qu também não estava na sala nem na cozinha; que o homem não estava no quarto, nem no escritório; que nessa hora notou uma caixa de ovos em cima da poltrona do escritório; que nesse momento escorregou em algo mole e caiu; que por isso está com escoriação no B.E. e que rasgou sua camisa; que havia muitas cascas de ovo no chão; que levantou e foi ao banheiro para passar água no rosto; que a porta estava travada por alguma coisa pesada lá dentro; que empurrou várias vezes e que caiu para fora da porta a mão do homem; que constatou que o homem estava caído por trás da porta do banheiro; que forçou a porta e entrou, mas que o corpo do homem pesou sobre a porta e fechou a porta com os dois dentro do banheiro; que tinha cheiro de gás, mas que sabia que era vazamento porque a vizinha tinha lhe dito que era vazamento que não estava virada a torneirinha do aquecedor; que o cheiro não era forte; que o homem estava no chão, de costas para a porta, de olhos fechados e de boca aberta, com uma gosma amarela que caia dos cantos; que o homem usava camisa azul escura de manga comprida e que em sua mão direita tinha uma faixa de pano amarrada, cor de abóbora e estava rasgada; que pegou o homem por baixo dos suvacos e puxou ele para trás e liberou a porta; que o homem tinha cheiro de podre mas estava mole; que o homem deslizou de lado para o chão e bateu o lado da cabeça esquerdo no pedestal da pia; que depois viu que tinha feito um corte; que não sangrou e que entendeu que o homem também estava morto imediatamente; que quando saiu na sala de novo viu o gato do casal sentado no peito da mulher que estav no sofá e que ela estava com os olhos abertos de novo; que nesse momento passou mal e viu tudo ficar preto e que ficou tonto e lembra que o porteiro, Sr. Gelson, entrar no apartamento com uma vassoura na mão e que nã lembra mais nada; que quando acordou estava no hall dos elevadores e um homem de branco estava perguntando seu nome e abanando a sua cara com um lenço que tinha um cheiro estranho; que seu jornal e o pão sumiram; que não sabia que tinha sido encontrado pão no quarto do casal que encontrou morto. E nada mais disse, nem lhe foi perguntado; que se comprometeu a comparecer, independente de intimação e que ficou advertido que pode ser conduzido; que não tem advogado e que mora no mesmo prédio, no 304 e que paga aluguel.